23 de jun de 2017

Tunnel (drama, 2017)




País: Coréia do Sul
Gênero: Thriller, Policial, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: OCN TV

Direção: Sin Yong-hwi, Nam Gi-hoon
Roteiro: Lee Eun-mi-III

Elenco: Choi Jin-hyeok, Yoon Hyeon-min, Lee Yoo-young, Kim Min-sang, Jo Hee-bong, Kim Byeong-chul, Kang Ki-young, Lee Shi-a, Kim Dong-young, Moon Sook, Heo Sung-tae, Cha Hak-yeon, Kim Jeong-hak, Yang Joo-ho.

Resumo

No ano de 1986, o detetive de polícia Park Gwang-ho investiga uma série de assassinatos de mulheres. Ao perseguir um suspeito dentro de um túnel, o policial desaparece misteriosamente, para reaparecer no futuro, em 2017. Park Gwang-ho voltará à sua antiga delegacia para tentar capturar o assassino serial, e poder voltar para casa.

Comentário

Será possível, mais um drama coreano sobre viagem no tempo? Pois é, muita gente se fez esta pergunta quando Tunnel foi anunciado pelo canal a cabo OCN, e, antes mesmo de sua estreia, começaram as comparações com o drama Signal, grande sucesso de público e crítica de 2016. Mas não há motivos para preocupação, pois, com um roteiro criativo, mesmo a estória menos original pode surpreender o espectador. É o que aconteceu com o roteiro original da roteirista novata Lee Eun-mi-III (The Unwelcome Guest, drama special), uma estória que parece muito mais inspirada, em parte, no romantismo surreal de um grande clássico da literatura, O Mágico de Oz, e, mais ainda, no thriller coreano Memories of Murder (do qual o drama reproduz uma cena inesquecível).

É impressionante como as produções da OCN têm evoluído com o tempo, e a combinação ousada de roteiristas desconhecidos e diretores pouco glamourosos – em Tunnel, Nam Gi-hoon (Full House 2) e Sin Yong-hwi (Faith) – tem resultado em dramas potentes como Voice, ou Bad Guys.

A estória começa no ano de 1986, em uma cidade interiorana, quando somos apresentados ao detetive de polícia Park Gwang-ho (Choi Jin-hyuk), que investiga os brutais assassinatos de várias mulheres jovens da região. Um policial, nos anos oitenta, não tinha acesso aos instrumentos científicos e tecnológicos disponíveis nos dias de hoje. As armas da polícia eram, acima de tudo, a paciência e a persistência para seguir pistas que levassem à resolução dos crimes. Na época, por exemplo, nem se tinha o conceito de assassinato em série, e muito menos o estudo do perfil psicológico de um criminoso. É Park Gwang-ho, com uma inteligência acima da média, e com um afiado instinto de policial, que percebe que há coincidências demais entre as mortes das mulheres, e o método do assassino (ou assassinos). Só que o criminoso em questão é muito inteligente, pois não deixa pista alguma na cena dos crimes. Frustrados, os policiais acabam deixando o caso de lado por um tempo, e Park Gwang-ho tem mais tempo para dedicar-se à sua jovem esposa, Shin Yeon-sook (Lee Shi-a, de Maids). Passados alguns meses, surge uma pista importante, e Park Gwang-ho torna-se ainda mais obcecado com o caso. Ele cria o hábito de visitar a pé as várias cenas dos crimes, todas em locais ermos, como estradas vicinais e campos abertos. Certa noite, orientado apenas pela luz de uma lanterna, ele cruza um antigo túnel, quando avista o suspeito e começa a persegui-lo. Na escuridão, ele é atingido na cabeça por uma pedra e desmaia. Quando acorda, meio zonzo, ele atravessa o túnel e se depara com uma paisagem surpreendente, uma metrópole, com seus prédios altos e iluminados. Confuso, ele caminha por uma rodovia e por pouco não é atropelado por dois carros conduzidos em alta velocidade. Finalmente, ele chega até o prédio da delegacia de polícia e, provavelmente ainda confuso pela pancada na cabeça, não percebe que tudo está muito diferente, e, muito menos ainda, que viajou trinta anos no tempo, em direção ao futuro. E por azar, seu primeiro contato com um “habitante” do século XXI, não é dos mais amigáveis... O inspetor Kim Seon-jae (Yoon Hyeon-min) é o tipo de pessoa que acha uma perda de tempo confraternizar com os colegas, e só tem olhos para o trabalho. Acontece que Kim Seon-jae não seguiu a carreira policial por vocação, mas pelo desejo de vingar um crime que abalou sua família quando ele era criança.

É divertido ver o contraste enorme entre as personalidades destes novos parceiros, Kim Seon-jae e Park Gwang-ho. Park Gwang-ho é um policial “de raiz”, e, apesar da situação absurda em que se encontra, procura manter o otimismo e acreditar que o presente é a chave de sua volta para casa. Kim Seon-jae, por outro lado, pensa obsessivamente no passado, e vive o presente como um sonâmbulo. É muito interessante esta reflexão, de que para redimir-se de um erro do passado, a pessoa tem de viver honestamente o presente, ao invés de atormentar-se para sempre com o que não pode ser desfeito. A missão dos detetives Kim Seon-jae e Park Gwang-ho não é mudar o passado, mas sim dar chance a que eles mesmos e seus entes queridos tenham um futuro feliz.

O ponto de união entre estes dois homens de personalidade forte é a professora Shin Jae-yi (Lee Yoo-young), catedrática da disciplina de Psicologia Criminal. Como especialista, ela irá ajudar a polícia a compor e analisar o perfil de um assassino em série que voltou a atuar na capital, depois de muitos anos. Kim Seon-jae não esconde seu encanto com a prof. Shin, mais por sua personalidade hermética (tão parecida com a dele), do que por seu ar de ninfa. Já Park Gwang-ho não suporta a atitude antissocial da moça, quando ele mesmo gosta de resolver tudo com uma boa discussão. Mas o que ninguém sabe é que a prof. Shin tem motivos para ser tão arisca, já que teve uma infância muito infeliz. Foi sua chefe, Hong Hye-rin (Moon Sook, de Age of Youth), Pró-Reitora da Universidade Hwa Yang que a trouxe da Inglaterra, quando seus pais adotivos morreram em um trágico acidente.

O detetive Kim Seon-jae há anos perseguia um assassino em série de mulheres, chamado Jeong Ho-young (Heo Sung-tae, de The Age of Shadows). Quando os crimes com o mesmo modus operanti voltam a ocorrer, a equipe liderada por Jeong Seong-sik (Jo Hee-bong, de The Girl Who Sees Smells) tenta capturar o suspeito, antes que ele faça mais vítimas. Park Gwang-ho acha que Jeong Ho-young é o mesmo homem que ele tentou prender em 1986, antes de ser enviado para o futuro. O modo como as vítimas são mortas, estranguladas, é idêntico, exceto por uma “assinatura” especial que era deixada pelo criminoso, ausente nos crimes atuais, fato que intriga o detetive Park.

Outro colaborador da equipe é o médico legista Mok Jin-woo (Kim Min-sang, de Chief Kim), a quem o detetive Kim Seon-jae confidencia suas suspeitas sobre a verdadeira identidade do colega Park Gwang-ho. Sem saber que Park veio do passado, o det. Kim fica ainda mais confuso quando encontra o corpo de um jovem policial que seria o verdadeiro Park Gwang-ho (Cha Hak-yeon, Cheer Up!, membro do grupo pop VIXX). É estranho, para não dizer pouco ético que o Dr. Mok aceite o pedido de Kim Seon-jae para fazer uma necropsia informal, sem registrar oficialmente a ocorrência, enquanto ele investiga o caso.

Tunnel é um drama fantástico, especialmente pelos sentimentos de familiaridade com os personagens que desperta no espectador. A trama evolui com agilidade, e vai revelando o passado e as motivações de cada um, tanto dos heróis quanto dos vilões, e as surpresas são grandes, até o desfecho da estória (por isso mesmo é melhor evitar os spoilers, entrando em detalhes sobre os personagens).

Deixando claro que o suspense e a diversão estão garantidos, sem revelar os mistérios da trama, vale a pena destacar o elenco incrível, grande responsável pelo sucesso do drama. O protagonista absoluto de Tunnel é, obviamente, Choi Jin-hyeok (Pride and Prejudice), e se alguém ainda estava em dúvida, não pode mais negar seu talento como ator. Park Kwang-ho é um personagem tão encantador, que é impossível não alegrar-se com ele nos bons momentos, ou derramar lágrimas por ele, como se fosse seu irmão querido.

Yoon Hyeon-min também vem construindo uma carreira lenta, mas sólida como ator, de muitos papeis secundários simpáticos (Discovery of Romance) a crescentes desafios (Beautiful Mind), até chegar ao protagonismo, com louvor, em Tunnel. O detetive Kim Seon-jae também é um personagem envolvente, a princípio antipático (ainda mais se comparado ao caloroso Park Gwang-ho), mas aos poucos, incrivelmente sensível.

Mas o melhor achado do drama é, sem dúvida, Lee Yoo-young. Mais conhecida pelos amantes do cinema independe coreano, Lee Yoo-young  (The Treacherous) debuta na telinha deixando a melhor das impressões, e presenteando-nos com um estilo de atuação muito mais natural, e ao mesmo tempo convincente, que o da maioria das atrizes formadas nos estúdios de TV.

O lado cômico do drama fica a cargo de dois atores conhecidos dos fãs de dramas, os queridíssimos Kim Byeong-chul (Goblin) e Kang Ki-young (Oh My Ghostess), nos papeis dos detetives Kwak Tae-hee e Song Min-ha, respectivamente.

Como no thriller Signal, Tunnel se despede deixando no espectador um grande desejo de rever seus protagonistas, e confirmar se estão todos bem e felizes, seja em que dimensão estiverem...

5 de jun de 2017

Kazoku: Tsuma no Fuzai, Oto no Sonzai (drama, 2006)




País: Japão
Gênero: Drama, Família
Duração: 8 episódios
Produção: Asahi TV
Música tema: Everything, EXILE

Direção: Karaki Akihiro, Takahashi Nobuyuki, Ikezoe Hiroshi
Roteiro: Shimizu Yuki

Elenco: Takenouchi Yutaka, Watari Tetsuya, Uto Shusei, Ishida Yuriko, Gekidan Hitori, Sakura, Kaneko Noboru, Natsuyagi Isao.

Resumo

Kamikawa Ryohei é um executivo com um bom emprego e uma bela família... Até o dia em que ele resolve pedir demissão e é abandonado pela mulher, que o deixa responsável pelo filho pequeno.

Comentário

Dramas sobre crises matrimoniais são comuns, mas um que aborde o tema sob o ponto de vista masculino não é tão usual, como é o caso deste magnífico melodrama familiar, Kazoku.


Kazoku: Tsuma no Fuzai, Oto no Sonzai (Family: Absence of the Wife, Existence of the Husband) conta a saga de um homem que luta para conciliar a carreira profissional com as dificuldades de criar o filho pequeno sozinho. E a roteirista Shimizu Yuki (The Perfect Path for Two, Koi no Sanriku Ressha Kon de Iko!) narra com muita sensibilidade a estória do casal Kamikawa, e de seu adorável filho Yuto.


Kamikawa Ryohei (Takenouchi Yutaka) representa o estereótipo perfeito do homem japonês, educado, responsável, trabalhador, mas que vê a mulher mais como mãe de seus filhos e dona de casa, do que como companheira e amante. A prioridade de Ryohei é dar estabilidade e conforto à família, e ele acaba, inconscientemente, se distanciando da mulher, Satomi (Ishida Yuriko) e do filho. Enquanto isso, Satomi sofre em silêncio com a ausência do marido. Por ter perdido o pai muito jovem, Ryohei teve de aprender a ser independente e a resolver todos os problemas sozinho. Como de costume, Ryohei não conversa com a esposa sobre o estresse que sofre no trabalho e, certo dia, simplesmente avisa que mudou de emprego, e comprou uma casa nova e espaçosa para a família. Quando Ryohei não cumpre a promessa de ir a um concerto de piano do filho, Satomi resolve que é hora de cuidar da própria vida. Ela decide tentar retomar a carreira de arquiteta, e simplesmente sai de casa, deixando o filho Yuto (Uto Shusei) aos cuidados do pai. Sem ter noção alguma de como lidar com as necessidades diárias de uma criança, Ryohei se vê em grandes apuros, ainda mais que não há nenhum parente próximo para ajudá-lo. Mas, aos poucos a rotina começa fluir, quando ele matricula Yuto em um jardim de infância, lugar onde não apenas seu filho, mas ele próprio irá fazer grandes amizades. Para começar, a professora Kinoshita Miho (Sakura) é muito atenciosa com Yuto, e preocupa-se sinceramente com a situação da separação dos pais do menino.





Mas é o Sr. Saeki Shinichiro (Watari Tetsuya, de Lady Joker), um voluntário na escola infantil, que se torna o melhor apoio emocional para a família Kamikawa. O Sr. Saeki é um viúvo solitário, aposentado, que acaba fazendo amizade com Ryohei, e o ajuda muito na adaptação à vida de pai solteiro. Ele ensina Ryohei coisas triviais, mas ao mesmo tempo importantes no dia a dia, como preparar o lanche do filho, ou organizar prendas do bazar escolar. 



É bonito como o drama enfatiza como as pessoas mais velhas, com sua inestimável experiência de vida, podem contribuir com o bem estar da família e da sociedade em geral. Sendo assim, é tocante a amizade que se desenvolve entre o Sr. Saeki, o pequeno Yuto e Ryohei. E é o ator Watari Tetsuya, com sua postura elegante, que dá vida a este personagem tão digno, o Sr. Saeki.



Agora, um encanto mesmo é a relação maravilhosamente carinhosa entre Ryohei e Yuto. O amor entre pai e filho é expresso de forma tão natural, que é difícil de acreditar que não seja real. Takenouchi Yutaka é um ator especial, que, ao longo de sua longa carreira, nunca se aproveitou da própria beleza, procurando dar ênfase a uma atuação mais naturalista (A Long Vacation), e muitas vezes irreverente (BOSS). Certamente um dos melhores atores japoneses de sua geração.


Kazoku é uma pequena pérola, uma estória que nos faz rir e chorar, e ao mesmo tempo refletir sobre como é essencial cultivar o amor entre marido e mulher, entre pais e filhos, sempre com muito diálogo e respeito ao próximo.
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